Sopa de Abóbora Assada e Especiarias


Quando se fala em comida de conforto o meu cérebro remete-me imediatamente para uma taça de sopa ainda a fumegar. Nada se compara ao prazer de segurar entre as mãos, num dia frio de Inverno, uma tacinha quente cheia de ingredientes do bem. É puro conforto para o estômago e para a alma. Os dias que agora são mais longos, frios e cinzentos, pedem estes pequenos e revigorantes boosts de energia que nos fazem sentir tão bem. Cá em casa existem sempre sopas, independentemente da estação do ano, mas é nesta altura que elas me sabem melhor. Remetem-me sempre para memórias longínquas, em casa dos meus pais onde, logo pela manhã, se acendia o lume e preparava a panela de ferro. Nela eram colocados os melhores e mais frescos ingredientes vindos directamente da nossa horta. Os feijões que  ficaram a secar durante o Verão, que eram guardados em sacos de pano e agora eram demolhados. As abóboras do Outono que eram preservadas para consumir mais tarde. Os nabos e as couves acabadas de colher. Tudo era preparado e colocado, aos poucos, na panela. Sem pressas, para que os ingredientes ficassem perfeitamente apurados. E que bem que sabiam aquelas sopas!


Hoje continuo a gostar de sopas. Faço mesmo questão de as ter presentes na minha alimentação diária, o que acaba também por ser uma forma de ingerir mais legumes. Gosto de experimentar receitas novas, mas sou muito fiel às receitas que gosto e que acabo por repetir imensas vezes. Como é o caso desta sopa de abóbora e especiarias, cuja combinação nos deixa completamente saciados e felizes. Levei esta sopa a um dos meus Workshops e o feedback foi tão positivo que decidi, finalmente, partilhá-la aqui no blog. A ela juntei o artigo mensal que escrevi em colaboração com o site Alegro e no qual falo das boas razões para saborear uma deliciosa sopa. Podem ler o artigo completo aqui, enquanto saboreiam uma tacinha de sopa de abóbora assada e especiarias.


(artigo mensal escrito em colaboração com o site Alegro)

Chegou a estação das sopas!

Estamos praticamente a chegar à estação mais fria do ano. As temperaturas, agora mais baixas, já se fazem sentir. Nesta altura damos preferência a pratos mais quentes e reconfortantes como os caldos e as sopas. A sopa é uma óptima opção de refeição durante o Inverno. Tanto pode ser servida como entrada ou prato principal e a sua preparação tanto pode incluir os ingredientes mais comuns, como os legumes variados e a carne ou podemos sofisticar um pouco, usando o peixe ou o marisco.

As sopas remetem-nos para memórias longínquas. Através dos ingredientes e métodos de confecção levam-nos a viajar por culturas, histórias e tradições de todos os lugares do mundo. Cada país tem as suas receitas mais tradicionais e nós por cá não somos excepção. Desde um simples creme de legumes, os típicos caldo verde e canja de galinha, a sopa de cozido à portuguesa, a de cação ou a sopa da pedra e, claro, sem esquecer a sopa de peixe em todas as suas variantes. Podemos até afirmar que as sopas são um património cultural.

Com um aroma e sabor deliciosos, as sopas estão repletas de nutrientes. Quando cozinhamos legumes e vegetais, a maior parte dos nutrientes fica retida na água. O que significa que as sopas são ricas em vitaminas e sais minerais. Não há nada melhor do que saborear uma sopa bem quentinha (...)


(leiam o artigo completo aqui)


Sopa de Abóbora Assada e Especiarias

Ingredientes:
| 750 g de abóbora Butternut
| azeite
| 1 cebola
| 2 cenouras
| 2 dentes de alho
| 1 c. (sopa) de Ras Hel Hanout (mistura de especiarias)   
| 1 pimento Chilli (opcional)
| 1 lt de caldo de legumes
| 400 g de grão-de-bico cozido
| sementes de abóbora
croutons de pão

Preparação: 
1 . Pré-aquecer o forno a 190ºC.
Colocar a abóbora em pedaços e com a casca num tabuleiro e regar com um fio de azeite. Levar ao forno durante 30-35 minutos.

2 . Cortar a cebola em meias luas e a cenoura em pedaços e levar ao lume num tacho com um fio de azeite. Cozinhar durante 5 minutos.

3 . Adicionar o alho picado, o Ras Hel Hanout, metade do pimento Chilli e o caldo de legumes. Deixar que levante fervura, tapar o tacho e deixar cozinhar durante 10 minutos.

4 . Retirar a polpa da abóbora, descartando a casca. Colocar a abóbora no tacho juntamente com o grão-de-bico e deixar cozinhar mais 10 minutos.

5 . Triturar a sopa num processador ou com a varinha mágica até ficar bem cremosa. Juntar o restante pimento Chilli picado (opcional).

6 . Distribuir por taças e finalizar com um fio de azeite, sementes de abóbora e croutons de pão.

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Lamington Cake


Ano novo, vida nova. Quantas vezes já ouvimos ou dissemos esta expressão?! Sempre que chegamos ao mês de Janeiro queremos mudar umas quantas coisas nas nossas vidas. Este é um mês de mudanças, de novas rotinas, um mês de renovação em que são traçadas novas metas e lançados novos objectivos. É um mês de resoluções em que prometemos a nós mesmos que iremos fazer e mudar umas quantas coisas. Mas o tempo, esse não pára, os dias continuam a avançar no calendário. E a dieta que prometemos fazer, após termos comido de forma exagerada durante as festividades, já não começa no início de Janeiro, porque afinal há sobras para comer. Talvez lá para o Carnaval. Ou então não, porque afinal até gostamos mesmo de comer. Prometemos ir ao ginásio e lá nos arrastamos em passo de caracol ao mesmo tempo que descobrimos que temos novos músculos. No dia seguinte já não vamos porque as dores se tornaram insuportáveis. Até ao dia em que acabamos por desistir. E assim, à medida que os meses avançam, lá se vão desfazendo todas as resoluções que prometemos a nós próprios que iríamos cumprir minuciosamente. 

Isto tudo para dizer que este ano não fiz qualquer tipo de resolução. E já não é o primeiro ano que o faço. Não gosto de resoluções. O meu lema é viver um dia de cada vez e lutar todos os dias por ser feliz. É isso mesmo, dar mais importância às pequenas coisas do dia-a-dia, rodear-me de quem me quer bem e fazer coisas que me façam sentir feliz. E agradecer. Sempre. Agradecer pelas boas oportunidades que vão surgindo, pelas pessoas boas que a vida se encarrega de meter no meu camino, agradecer por cada dia em que acordo e luto por ser feliz.


Se há coisa que me deixa mesmo feliz é poder ligar o forno de vez em quando e fazer um bolo. Gosto de fazer bolos, adoro o cheiro de um bolo acabado de fazer. Por isso este ano quero fazer muitos bolos, e assim contribuir ainda mais para a minha felicidade. Quero partilhar e experimentar mais receitas novas. Daí que o primeiro post do ano seja um bolo. Mas não um bolo qualquer. Este é o Lamington Cake, que faço com muito gosto para participar no 2º aniversário do desafio mensal, o Sweet World, lançado pelas queridas Lia e Susana.

Os Lamingtons são de origem australiana e apresentam-se normalmente em forma de quadrados de bolo, que são mergulhados em chocolate e cobertos com coco. Já os vi imensas vezes a passearem-se pela blogosfera e confesso que tinha vontade de os fazer. Mas por serem tão simples e nada fotogénicos a receita foi sendo adiada. Até ao dia em que a Lia lançou o desafio e ela própria fez um Lamington Cake. Fiquei convencido e soube nesse preciso momento que era desta que iria colocar a receita em prática. Não fiz os quadrados, optei antes por esta receita que segue praticamente à risca os sabores originais, mas em forma de bolo. Gostei muito do resultado, fiquei mesmo convencido com os sabores e para que não ficasse um bolo de chocolate simples coberto com coco, decidi decorá-lo com creme de Mascarpone dando-lhe um ar mais vintage.


Lamington Cake
(receita adaptada do blog La Repostería de Miguel)

Ingredientes:
{para o bolo}
| 280 g de farinha
| 2 c. (chá) de fermento em pó
| 1 pitada de sal
| 120 g de manteiga
| 200 g de açúcar amarelo
| 3 ovos
| 1 c (chá) de extracto de baunilha
| 40 g de coco ralado
| 300 ml de leite

{para o recheio}
| 150 g de queijo Mascarpone
| 1 c. (sopa) de açúcar amarelo
| 60 ml de natas com 35% MG
| 200 g de compota de framboesa

{para a cobertura}
| 180 g de chocolate negro
| 100 ml de Natas com 35% MG
| coco ralado

Preparação:
1 . Ligue o gorno a 170ºC. Unte com manteiga e forre com papel vegetal uma forma de aro amovível com 20 cm de diâmetro.

2 . Numa taça misture a farinha peneirada, com o fermento e o sal e reserve.

3 . Bata a manteiga com o açúcar até obter um creme esbranquiçado. Adicione depois os ovos, um de cada vez, e bata bem entre cada adição. Junte o extracto de baunilha e o coco ralado e bata até todos os ingredientes estarem bem ligados.

4 . Adicione os ingredientes secos e o leite ao preparado anterior. Comece por juntar metade da farinha, depois o leite e por fim a restante farinha. Entre cada adição envolva delicadamente com uma espátula, mas sem bater demasiado.

5 . Verta a massa na forma e leve ao forno a 170ºC durante 45-50 minutos. Faça o teste do palito antes de remover o bolo do forno.

6 . Retire o bolo do forno e deixe arrefecer na forma durante 10 minutos. Passado esse tempo, desenforme e deixe arrefecer completamente sobre uma grelha.

7 . Corte o bolo na longitudinal por forma a ficar com duas camadas iguais.

8 . Corte o chocolate em pedaços pequenos e coloque numa taça de vidro. Leve as natas a lume médio até que comecem a ferver e de seguida verta-as sobre o chocolate picado. Deixe repousar durante 1 minuto e depois mexa energicamente até que o chocolate se funda e assim obtenha uma ganache brilhante.

9 . Cubra uma das metades do bolo (a que irá ficar por cima) com o chocolate derretido. A outra metade (a que ficará em baixo) barre apenas na lateral. Polvilhe com o coco ralado toda a superfície de bolo que tenha o chocolate derretido.

10 . Bata o queijo Mascarpone e junte o açúcar. Adicione as natas e bata alguns minutos até obter a consistência desejada. Coloque este preparado num saco de pasteleiro e reserve.

11 . Num prato de servir coloque a primeira camada de bolo. Faça um anel de creme de Mascarpone em toda a volta. No meio espalhe a compota de framboesa e alise com uma colher.

12 . Coloque a segunda camada de bolo e de seguida decore a gosto com mais creme de Mascarpone, em toda a volta, entre as camadas.

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Pudins de Bolo Rei


Cá em casa paira no ar o cheiro das especiarias. Com um ambiente sonoro entoando músicas de Natal, preparam-se as últimas compotas, as bolachas e outros presentes caseiros. Embrulham-se os últimos presentes e preparam-se as listas de compras com os ingredientes necessários para fazer as entradas e as sobremesas. Mas essas ficarão para o fim de semana. O importante agora é pensar em juntar a família em volta de uma mesa cheia de boa comida, na qual não pode faltar o tradicional bacalhau, as rabanadas, os sonhos e o bolo rei. A estes juntam-se ainda outras sobremesas que certamente farão as delícias de todos os presentes. Há para todos os gostos e em grande quantidades. Sim, acaba por ser um exagero, mas esta é uma época especial e depois temos pela frente mais doze meses para compensar  todos estes exageros. O importante é a partilha de refeições deliciosas, a criação de boas memórias  e o tempo de qualidade que passamos junto daqueles que mais gostamos.


Com tanta comida na mesa de Natal, o mais certo é acabarmos por andar a comer sobras até ao final do ano. Partilhar as sobras entre todos é uma opção para não desperdiçar comida. Por outro lado, podemos puxar pela criatividade e reinventar algumas refeições. Foi o que procurei fazer com a partilha desta receita que não é mais que uma adaptação do tradicional pudim inglês "Bread Pudding", mas aqui feito com as sobras do nosso Bolo Rei. A esta receita juntei ainda alguns frutos secos e aromatizei com canela, baunilha e raspa de limão. Fica uma sobremesa simples e deliciosa que pode ser servida ainda morna, acompanhada de uma bola de gelado ou então pode ser comida simples, ao lanche ou ao pequeno almoço.

Preparei esta receita, a última que partilho antes do Natal, em colaboração com o site Alegro, para acompanhar o artigo mensal intitulado "Sugestões Para Aproveitar as Sobras do Natal". Neste artigo, que podem ler mais abaixo, ou na íntegra aqui, dou alguns exemplos de como aproveitar as sobras de alguns dos pratos mais consumidos nesta época festiva, reinventando-as e transformando-as em deliciosas refeições. Esta receita é apenas um exemplo, mas também o bacalhau, os legumes ou o polvo podem ser reaproveitados. 

A todos os que por aqui passam, os meus sinceros votos de um Feliz e santo Natal, onde reine a Paz, o Amor e a Saúde em abundância. Sejam felizes!


(artigo mensal escrito em colaboração com o site Alegro)

Sugestões Para Aproveitar as Sobras do Natal!

No Natal tudo o que mais queremos é juntar a família e os amigos em volta de uma mesa farta, onde não podem faltar os pratos mais tradicionais, aquela receita que só a tia sabe fazer ou a sobremesa especial cuja receita é de família e vai passando de geração em geração. Conversas demoradas, sorrisos  partilhados e a criação de memórias, sempre com a comida como pano de fundo, assim são as refeições nesta que é a quadra mais festiva do ano.

Com tanta comida é inevitável não haver sobras no dia seguinte. Desperdiçar está fora de questão, por isso nada melhor que planear as refeições detalhadamente e com antecedência. Ainda assim vai sobrar comida. Uma das formas de se ver livre desses excessos, sem haver desperdício, é partilhar as sobras com os convidados. Por outro lado, com um pouco de imaginação e criatividade é possível reaproveitar essas sobras, combinando-as com outros ingredientes e assim preparar deliciosas refeições. Veja alguns exemplos:

Bacalhau:
É dos pratos mais tradicionais na ceia de Natal. O mais comum é o bacalhau cozido com couves e azeite. Não se tratando de um prato consensual, é comum haver sobras. Utilize-as, assim como as batatas e as couves do acompanhamento e faça a tão conhecida roupa-velha. Mas também pode optar por usar apenas as batatas, juntando-as ao bacalhau e assim fazer um empadão ou, porque não, umas deliciosas pataniscas. 

Carnes e Enchidos:
Em algumas regiões do país é comum haver peru assado. Se sobrar, pode sempre usar para fazer umas empadas, uns croquetes ou mesmo uma bôla de carnes e enchidos.

Legumes:
Existem sempre imensos legumes em grandes quantidades a acompanhar o bacalhau cozido. A couve costuma sobrar, mas também as cenouras, os nabos e as batatas. Junte-os numa panela, tempere a gosto e faça uma reconfortante sopa (...)

(leiam o artigo completo aqui)


Pudins de Bolo Rei
Ingredientes:
| 300 g de sobras de Bolo Rei
| manteiga q.b.
| 3 c. (sopa) de amêndoa triturada
| 1 mão cheia de nozes pecan                     
| 3 ovos
| 3 c. (sopa) de açúcar amarelo
| 1 c. (café) de pasta de baunilha
| canela q.b.
| raspa de 1 limão
| 250 ml de leite
| 1 c. (sopa) de vinho do Porto
| açúcar mascavado

Preparação:
1 . Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga 4 ramequins ou, em alternativa use uma forma pequena de bolo inglês.

2 . Corte o bolo rei em fatias finas ou parta em pedaços e distribua pelos ramequins.

3 . Sobre o bolo rei coloque a amêndoa e as nozes pecan.

4 . À parte, bata os ovos juntamente com o açúcar, a baunilha, a canela e a raspa de limão. Adicione o leite e o vinho do Porto e bata mais um pouco.

5 . Verta o preparado anterior sobre o bolo rei e salpique com açúcar mascavado.

6 . Leve ao forno cerca de 20 minutos ou até ficar dourado.

Tarte "Mince Pie" com Crumble


Costumo ficar meio nostálgico nesta altura do ano. O Natal é para mim um misto de emoções, boas e menos boas. E apesar de agora já ver esta quadra com outros olhos, durante anos eu ansiava que o mês de Dezembro chegasse ao fim depressa ou que simplesmente não existisse. Faz hoje precisamente 20 anos que me despedi para sempre da pessoa mais querida que conheci em toda a minha vida, a minha mãe a pessoa que me trouxe a este mundo. Éramos muito unidos e vivemos juntos tantos momentos bons, criámos tantas memórias em volta da comida, especialmente na altura do Natal. Todos os anos íamos ao pinhal à procura do pinheiro de Natal, colhíamos o musgo para o presépio, e juntos preparávamos as broas, também conhecidas por merendeiras, que depois eram distribuídas pela família. Os sonhos de abóbora eram um clássico sempre presente. Enquanto ela os fritava eu mergulhava-os na mistura de açúcar e canela, ao mesmo tempo que me lambuzava a prová-los ainda quentes. Na consoada ela preparava sempre o bacalhau, que era regado com bastante azeite e acompanhado com as couves colhidas da nossa horta e cozidas ao lume em grandes quantidades, na panela de ferro. O forno de lenha não parava por esses dias, ora para fazer pão ora para os assados do dia de Natal. Ainda consigo sentir os aromas que se viviam naquela cozinha de lareira aberta. Pudesse eu voltar atrás, pudesse regressar no tempo e viver de novo todas aquelas memórias, sentir aqueles cheiros, ouvir o seu riso, sempre tão espontâneo e genuíno e vê-la sorrir. Não posso. A dor da perda continua cá. É uma ferida que nunca irá curar mas que o avançar do tempo ajuda a superar. Ficam as boas memórias, as boas recordações de outros natais muito felizes.


A escassos dias da noite mágica, cá em casa preparam-se os últimos presentes. Testam-se algumas receitas e fazem-se algumas compras de última hora. Os dias são pequenos demais, o tempo não quer dar tréguas, e parece não ser suficiente para tudo o que queremos fazer. Tinha algumas sugestões para partilhar aqui mas que por falta de tempo terão de continuar no papel e ficar para outra oportunidade. Os dias passam depressa e o ano está quase a chegar ao fim. É tempo de fazer uma retrospectiva, de pensar em novos desafios, de traçar novos objectivos. Mas por enquanto tenta-se viver o espírito desta que é a quadra mais festiva do ano. 

Este ano, por circunstâncias várias, não terei toda a família reunida. O importante é saber que, dentro do possível, todos estão bem. Costumamos dividir tarefas e a mim cabe-me o preparar das entradas e das sobremesas. Confesso que não sou grande apreciador das sobremesas típicas natalícias. A maioria delas são fritas e levam quantidades astronómicas de ovos e açúcar. E onde quer que vamos existem sempre os sonhos, as rabanadas ou o tradicional bolo rei. Por isso costumo sempre procurar alternativas, por norma sobremesas de outros países e culturas. Pela primeira vez aventurei-me a preparar uma Mince Pie, uma tarte de origem britânica que leva um recheio à base de maçã, frutos secos e desidratados, especiarias e rum ou brandy, o chamado "mincemeat". Já vi tantas receitas e várias versões desta tarte que a vontade de a experimentar era muita. Quando vi o "mincemeat" à venda não resisti a comprar e apesar de ser uma versão de compra, podem preparar o vosso "mincemeat" em casa. A receita escolhida foi esta versão de uma tarte única, à qual adicionei maçã e que leva uma camada crocante de crumble. Usei a massa que sobrou da base para fazer algumas estrelas que usei na decoração. Confesso que fiquei bastante surpreendido com o resultado final. Não fica uma tarte muito doce e é perfeita para acompanhar de uma bola de gelado ou natas batidas. Será para repetir, com certeza.


Tarte "Mince Pie" com Crumble 
(receita adaptada do blog Baking Martha)

Ingredientes:
{para a massa}
| 200 g de farinha s/ fermento
| 50 g de amêndoa moída
| 1/2 c. (chá) de canela
| 35 g de açúcar amarelo
| 125 g de manteiga fria, em pedaços
| 1 gema de ovo

{para o recheio}
| 411 g de Mincemeat (podem preparar o mincemeat caseiro, vejam esta receita)
| 1 maçã Reineta ralada

{para o crumble}
| 75 g de farinha
| 75 g de manteiga fria
| 50 g de açúcar amarelo

Preparação: 
1 . Comece por preparar o crumble, misturando com os dedos a farinha, a manteiga fria e o açúcar até  obter uma mistura areada e húmida. Reserve.

2 . Numa taça larga misture a farinha, a amêndoa moída, a canela e o açúcar. Adicione a manteiga em pedaços, a gema de ovo e 1-2 c. (sopa) de água. Misture e amasse até obter uma massa homogénea e moldável. Forme uma bola com a massa, envolva em película aderente e leve ao frigorífico por 30 minutos.

3 . Pré-aqueça o forno a 200ºC. 
Com o rolo, estenda a massa numa superfície enfarinhada até atingir a espessura de 0,5 cm e com o comprimento suficiente para forrar uma forma de fundo amovível com cerca de 22cm X 22cm. Pressione bem a massa contra o fundo e as laterais da forma e corte o excesso. Pique a massa com um garfo e leve a refrigerar cerca de 15 minutos (reserve a massa que sobrou).

4 . Coloque uma folha de papel vegetal sobre a massa e preencha com feijão seco ou pérolas de cerâmica (isto irá evitar que a massa crie bolhas e enfole enquanto está o forno) e leve ao forno por 15 minutos. Retire o feijão e deixe cozer por mais 8 minutos. Retire a tarte do forno e reduza a temperatura para os 180ºC.

5 . Misture o Mincemeat com a maçã ralada e distribua pela tarte. Preencha toda a superfície da tarte com o crumble reservado.

6 . Estenda a massa que sobrou, numa superfície enfarinhada e corte em pequenas porções, usando cortadores de bolachas em forma de estrela. Distribua num tabuleiro de forno forrado com papel vegetal.

7 . Leve a tarte e o tabuleiro com as bolachas ao forno. Retire as bolachas ao fim de 10-12 minutos e a tarte ao fim de 25-30 minutos ou quando a superfície começar a ficar dourada.

8 . Polvilhe as bolachas com açúcar em pó e cacau em pó e decore a tarte a gosto.